LIÇÃO 9 - CORAGEM PARA TESTEMUNHAR: PAULO DIANTE DA MULTIDÃO

 

Lição 9: CORAGEM PARA TESTEMUNHAR: PAULO DIANTE DA MULTIDÃO.

TEXTO ÁUREO: “Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido.” (At 22.15). 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Atos 21.27,28,30,31,33,39,40; 22.1-7.

 

Introdução: Nesta aula vemos a sua importância, porque mostra que o testemunho cristão não depende de circunstâncias favoráveis: Paulo testemunhou quando estava sendo perseguido, acusado e cercado por uma multidão enfurecida; como também mostrar que o verdadeiro testemunho cristão nasce de um encontro pessoal com Cristo e permanece firme mesmo diante da oposição, da intolerância e das circunstâncias adversas. Quem teve um encontro verdadeiro com Cristo não pode permanecer calado; mesmo diante da oposição, continua testemunhando o que viu, ouviu e experimentou.  Paulo não estava diante daquela multidão apenas para defender sua reputação.

Ele estava ali para testemunhar de Cristo.

1. PAULO ENFRENTOU UMA MULTIDÃO INTOLERANTE

Atos 21.27 — Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, Atos 21.28 — clamando: Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar [...].

A situação era extremamente perigosa. O apóstolo havia chegado a Jerusalém e, procurando demonstrar respeito pelas tradições judaicas, participou de um processo de purificação no templo. Entretanto, alguns judeus da Ásia reconheceram Paulo. Eles já o conheciam por causa de sua pregação entre os gentios e imediatamente começaram a acusá-lo.

Atos 21.27 diz: “...vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele.”

A multidão não procurou saber a verdade; não houve investigação; não houve diálogo; houve ódio, preconceito e violência.

Há momentos em que o cristão será mal interpretado simplesmente porque pertence a Cristo. Nem sempre seremos compreendidos. Nem sempre nossa intenção será reconhecida. Nem sempre aqueles que nos acusam estarão interessados em ouvir a verdade. Mas isso não pode nos impedir de testemunhar. O testemunho cristão não depende da aprovação da multidão; depende da fidelidade a Cristo.

Os acusadores gritavam: “Varões israelitas, acudi!”

E começaram a levantar acusações contra Paulo.

Eles diziam que Paulo ensinava contra o povo, contra a lei e contra o templo.

Mais do que isso, fizeram uma acusação específica: afirmaram que Paulo havia introduzido gregos no templo e profanado o lugar santo.

O problema é que eles haviam tirado uma conclusão sem possuir provas.

Atos 21.29 esclarece que eles tinham visto Trófimo, o efésio, anteriormente com Paulo na cidade e presumiram que Paulo o havia levado ao templo.

Uma acusação não pode nascer de uma suposição.

Isso é muito importante para nossa vida cristã.

Nem toda acusação é verdadeira; nem todo comentário merece uma resposta; nem toda interpretação das pessoas corresponde à realidade.

Paulo estava sendo acusado por algo que eles supuseram.

Precisamos aprender a não construir julgamentos sobre pessoas com base em suposições.

A Igreja precisa ser um lugar de: verdade; graça; misericórdia; prudência; discernimento; restauração.

Antes de falar sobre alguém, precisamos ter certeza dos fatos.

 

2. A MULTIDÃO ENFURECIDA QUERIA MATAR PAULO

Atos 21.30 — E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam.

A cidade inteira entrou em confusão.

Paulo foi arrastado para fora do templo.

E a intenção era clara: matá-lo.

Atos 21.31: “E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão.”

Imagine a cena: Paulo estava cercado por uma multidão; Gritos; Acusações; Violência; Ódio.

E, humanamente falando, parecia que sua vida estava chegando ao fim, mas Deus ainda tinha propósito para Paulo.

Aqui está uma grande lição: A multidão podia decidir o que queria fazer com Paulo, mas não podia cancelar aquilo que Deus havia determinado para Paulo.

 

3. DEUS PRESERVOU PAULO, HAVIA UM TESTEMUNHO PARA SER DADO

Atos 21.31 — E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão. Atos 21.33 — Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito.

O tribuno tomou soldados e centuriões e correu para conter a confusão.

Paulo foi preso e algemado.

Humanamente, parecia uma derrota.

Mas espiritualmente era uma oportunidade.

A prisão não interromperia o propósito de Deus; transformaria a prisão em plataforma de testemunho.

Isso acontece diversas vezes em Atos.

Paulo não escolhia as circunstâncias; mas aproveitava as circunstâncias para anunciar Cristo.

Às vezes pensamos: “Se as circunstâncias melhorarem, vou testemunhar.”

Paulo nos ensina o contrário: Testemunhe nas circunstâncias que Deus permitir.

Se houver liberdade, testemunhe. Se houver oposição, testemunhe. Se houver oportunidade pública, testemunhe. Se houver apenas uma pessoa para ouvir, testemunhe. Se a porta for grande, testemunhe. Se a porta parecer pequena, testemunhe.

O lugar pode mudar; a missão permanece.

4. PAULO PEDIU PERMISSÃO PARA FALAR À MULTIDÃO

Atos 21.39 — Mas Paulo lhe disse: Na verdade, eu sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. Atos 21.40 — E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo:

Paulo diz ao tribuno: “Na verdade, eu sou um homem judeu, natural de Tarso... e rogo-te que me permitas falar ao povo.”

Observe a atitude de Paulo.

Ele acabara de ser espancado; estava preso; tinha sido acusado; Sua vida estava ameaçada.

E qual foi seu pedido? “Permite-me falar.”

Ele poderia ter pedido: “Levem-me daqui.” “Protejam-me.” “Não quero mais problemas.”

Mas Paulo queria falar.

Por quê? Porque ele sabia que aquela multidão precisava ouvir.

E talvez aquela fosse a última oportunidade de alguns deles ouvirem o Evangelho.

 

5. O PÚLPITO DE PAULO ONDE PREGOU ERA UMA ESCADA

Atos 22.1 — Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós.

Essa é uma das imagens mais impressionantes do texto.  Paulo não estava em uma plataforma preparada. Não havia sistema de som. Não havia púlpito ornamentado. Não havia ambiente confortável. Seu púlpito era uma escada. Seu auditório era uma multidão furiosa. Seu momento era de perigo. Mas sua mensagem era sobre Jesus Cristo.

O poder do testemunho não está no tamanho do púlpito. Está na grandeza de Cristo.

Paulo poderia testemunhar: numa sinagoga; numa praça; numa casa; numa prisão; num navio; diante de reis; diante de uma multidão enfurecida.

Onde houver alguém para ouvir, existe uma oportunidade para testemunhar.

 

6. PAULO COMEÇOU FALANDO NA LÍNGUA HEBRAICA

Atos 22.2 — (E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E disse:

Isso demonstra sabedoria. Paulo conhecia seu público. Ele não começou atacando. Não começou insultando. Não começou condenando. Começou estabelecendo uma ponte.

Precisamos aprender a comunicar o Evangelho de maneira sábia. Testemunhar não significa provocar desnecessariamente. Não significa humilhar quem pensa diferente. Não significa transformar cada conversa em uma discussão. Precisamos falar a verdade, mas também precisamos saber como falar a verdade.

Colossenses 4.6 ensina: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal...”

A verdade precisa continuar sendo verdade, mas nossa maneira de apresentá-la deve demonstrar a graça de Cristo.

 

7. O TESTEMUNHO DE PAULO ERA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA

Atos 22.3 — Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso para com Deus, como todos vós hoje sois. Atos 22.4 — Ora, persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, Atos 22.5 — como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.

Paulo começa contando quem era. Ele não esconde seu passado. Ele havia sido educado aos pés de Gamaliel. Era zeloso. Era profundamente ligado às tradições judaicas. E havia perseguido os cristãos.

Isso é importante!

Paulo não tinha uma história superficial. Ele não era alguém que simplesmente mudou de opinião. Ele tinha sido um perseguidor convicto da Igreja. Ele estava disposto a prender cristãos. Estava disposto a persegui-los. Seu zelo pelo judaísmo era intenso.

Portanto, quando Paulo fala: “Eu encontrei Jesus”,

sua transformação não podia ser explicada simplesmente por uma mudança emocional.

Ele tinha encontrado uma Pessoa: Jesus Cristo.

 

8. O ENCONTRO QUE MUDOU TUDO NA VIDA DE PAULO.

Atos 22.6 — Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. Atos 22.7 — E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

Paulo chega ao centro do testemunho. Ele estava viajando para Damasco. Por volta do meio-dia, uma grande luz brilhou do céu. Ele caiu por terra.

Então ouviu uma voz: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Paulo perguntou: “Quem és, Senhor?”

E a resposta foi: “Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu persegues.”

Aqui está o coração da mensagem. Paulo não encontrou apenas uma nova religião. Ele encontrou Jesus.

Paulo não recebeu simplesmente uma nova filosofia.

Ele encontrou Jesus.

Paulo não teve apenas uma experiência emocional.

Ele encontrou Jesus.

E aquele encontro mudou completamente sua vida.

Paulo poderia dizer: “Eu era perseguidor.” “Eu prendia cristãos.” “Eu combatia a Igreja.” “Eu era inimigo do Evangelho.”

Mas agora podia dizer: “Eu encontrei Jesus.”

E essa é a força do testemunho cristão. Não precisamos fingir que nunca tivemos passado.

Precisamos mostrar o que Cristo fez com o nosso passado.

Existem pessoas que pensam: “Minha vida não serve para testemunho.”

Paulo prova o contrário: Quanto maior a transformação, maior pode ser o impacto do testemunho.

Aquele que foi alcançado pela graça pode dizer: “Eu não sou mais quem eu era, porque Cristo entrou na minha vida.”

 

Conclusão: Quando Cristo muda a nossa vida o testemunho não pode ser calado.

A Igreja precisa recuperar a coragem de testemunhar. Testemunhar em casa. Testemunhar para os filhos. Testemunhar para os amigos. Testemunhar para os vizinhos. Testemunhar nas redes sociais. Testemunhar aos que estão afastados.

Testemunhar aos que sofrem. Testemunhar aos que ainda não conhecem Jesus.

E quando alguém perguntar: “Por que você ainda crê?”

Podemos responder: “Porque eu conheci Jesus.”

Quando perguntarem: “Por que você não desistiu?”

Podemos responder: “Porque Jesus mudou minha vida.”

Quando perguntarem: “Por que você continua esperando?”

Podemos responder: “Porque eu conheço aquele em quem tenho crido.”

 

Pastor Adilson Guilhermel

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