Esboços e Comentários das Lições Bíblicas. Th.M Adilson Guilhermel

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LIÇÃO 10 - ESPÍRITO SANTO - O CAPACITADOR

LIÇÃO 10 - ESPÍRITO SANTO - O CAPACITADOR

TEXTO ÁUREO: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne.” (Jl 2.28a).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Joel 2.28,29; Atos 2.1-4; 8.14-17; 1 Coríntios 12.4-7.

 

Introdução: O derramamento do Espírito Santo não é um evento isolado na linha do tempo bíblica, mas o divisor de águas que marca a transição entre a promessa profética e a realidade vivida pela Igreja. O que o profeta Joel visualizou no horizonte distante; uma democratização do fogo divino sobre "toda a carne", teve sua inauguração gloriosa no cenáculo de Jerusalém, onde o vento impetuoso e as línguas de fogo desfizeram o caos de Babel e estabeleceram a linguagem universal da graça.

 

1. A QUEBRA DE BARREIRAS E O FIM DO MONOPÓLIO ESPIRITUAL DA ANTIGA ALIANÇA.

Joel 2.28 — E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. Joel 2.29 — E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito.

Vamos tocar no ponto que diferencia a natureza da habitação do Espírito entre a Igreja (Corpo de Cristo) e os súditos do Reino Milenar. Enquanto a Igreja, após o Arrebatamento, atinge o estado de glorificação (corpos espirituais e incorruptíveis, como o de Cristo ressurreto), os sobreviventes da Grande Tribulação que entrarem no Milênio e seus descendentes possuirão corpos biológicos (naturais, embora longevos). Para estes, o Espírito Santo operará como o Agente de santificação e governo, tornando-os templos vivos, assim como somos hoje.

O Penhor e a Plenitude: A Profecia que Atravessa as Eras é uma promessa de restauração após o julgamento das nações que ocorrerá no final da grande tribulação, quando Cristo inaugurará o seu reino milenar. O derramamento do Espírito não é um evento isolado, mas uma progressão que culmina na teocracia perfeita do Milênio.

I. O Pentecostes: A Inauguração da Era da Igreja.

A Mudança de Dispensação: Do Espírito "sobre" (seletivo) para o Espírito "em" (habitacional).

A Igreja como Primícias: Somos os primeiros a desfrutar da interiorização do Espírito. Se somos templo hoje, temos o dever de manifestar o Reino agora. O "direito de reivindicar" o Pentecostes é a posse da ferramenta para a evangelização.

II. O Arrebatamento e a Glorificação (A Igreja em Outro Patamar)

ll. A Mudança de Natureza: No Arrebatamento, deixamos de ser "templos biológicos" para sermos espíritos glorificados. 1 Coríntios 15:44: "Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual". Diferenciação: A Igreja glorificada não "busca" o Espírito, ela vive na plenitude total da presença de Deus, face a face. Não haverá mais a luta entre carne e espírito, pois a carne terá sido absorvida pela vida.

III. O Milênio: O Cumprimento "Sobre Toda a Carne" O Cenário: Cristo reinando fisicamente na Terra. Habitantes com corpos biológicos (os que restarem das nações). A Nova Universalidade: Diferente de hoje, onde o Espírito habita em quem crê, no Milênio a influência do Espírito será a base da sociedade civil e espiritual. O Novo Templo Coletivo: Assim como a Igreja é templo hoje no plano terreno, os habitantes do Milênio serão os receptores dessa efusão para que a justiça prevaleça sem as amarras do pecado dominador (pois Satanás estará preso). Cumprimento Final de Joel: A democratização total. De Israel às nações, o Espírito guiará a humanidade biológica em obediência direta ao Rei. Podemos concluir que o nosso papel no Intervalo, que nós somos a "ponte" profética. Recebemos o Espírito em corpos mortais para que, um dia, reinemos com Ele em corpos imortais. 

2. O ESPÍRITO É A PRESENÇA QUE TRANSFORMA, NÃO ESPETÁCULO QUE IMPRESSIONA.

Atos 2.1 — Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; Atos 2.2 — e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. Atos 2.3 — E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Atos 2.4 — E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

O episódio descrito em Atos dos Apóstolos 2, ocorrido na festa judaica de Pentecostes, revela muito mais do que um fenômeno extraordinário. Ele comunica verdades profundas sobre a obra do Espírito, a missão da Igreja e a restauração do propósito de Deus interrompido em Gênesis 11 na narrativa da Torre de Babel.

A descida do Espírito como “primícias” aponta para o início de uma nova colheita espiritual. Enquanto no templo eram oferecidos os primeiros pães da colheita, Deus oferecia ao mundo as primícias da herança espiritual da Igreja: o próprio Espírito Santo habitando nos crentes.

O Espírito é presença que transforma, não espetáculo que impressiona. O som como de vento impetuoso e as línguas como de fogo foram sinais visíveis de uma realidade invisível: Deus estava inaugurando uma nova era. Não devemos buscar apenas manifestações externas, mas a transformação interna que elas apontam; desejo ardente de glorificar a Cristo, alegria intensificada e ousadia espiritual. Se não houver exaltação de Jesus e paixão pela Sua glória, a experiência perde seu propósito.

Quando a multidão se reuniu, os discípulos não falaram de si mesmos, nem da experiência em si. Eles anunciaram Jesus e Sua ressurreição. Toda ação genuína do Espírito conduz à exaltação de Cristo. Se uma manifestação espiritual não resulta em proclamação clara do evangelho, ela se distancia do modelo de Atos 2. O foco não eram as línguas — era Cristo.

O milagre permitiu que cada ouvinte compreendesse “em sua própria língua as grandezas de Deus”. Isso revela que o propósito era evangelístico e inclusivo. O Espírito remove barreiras linguísticas para alcançar corações. A Igreja deve usar todos os meios legítimos para comunicar o evangelho de forma compreensível. A missão exige contextualização sem comprometer a mensagem.

Em Babel, Deus confundiu as línguas por causa do orgulho humano. Em Pentecostes, Deus usa as línguas para unir povos sob a exaltação de Cristo. O Espírito não produz uniformidade artificial, mas unidade espiritual. A Igreja pode ser composta por diferentes culturas, classes sociais e histórias pessoais, mas é unida por uma só mensagem e um só Senhor.

O fogo simboliza purificação e capacitação. As línguas como de fogo apontam para: Purificação do coração; Capacitação para testemunhar; Paixão espiritual. Precisamos permitir que o Espírito queime em nós tudo aquilo que impede a plena consagração — orgulho, medo, acomodação.

Os discípulos sentiram: Forte desejo de ver Cristo glorificado; Intensificação do gozo espiritual; Novo senso de poder para testemunhar

A evidência mais segura da plenitude do Espírito não é apenas falar, mas amar mais a Cristo, desejar mais Sua glória e testemunhar com mais coragem.

Devemos buscar não apenas dons, mas o Doador; não apenas experiências, mas transformação; não apenas manifestações, mas a exaltação de Jesus. Quando o Espírito age genuinamente, Cristo é glorificado, a Igreja é capacitada e as barreiras que dividem a humanidade começam a cair.

3. DEUS TRANSFORMA O NOSSO ZELO DESTRUTIVO EM MINISTÉRIO RESTAURADOR

Atos 8.14 — Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João, Atos 8.15 — os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo. Atos 8.16 — (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.) Atos 8.17 — Então, lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.

A mudança em João é profunda. Em Lucas 9.54, ele (um dos "Filhos do Trovão") queria invocar fogo para consumir os samaritanos por rejeitarem a Jesus. Em Atos 8, ele volta à mesma região para invocar o Espírito Santo para consumir o pecado e dar vida. Quantas vezes desejamos "fogo do céu" (juízo) sobre aqueles que nos rejeitam ou que pensam diferente? A lição aqui é que o amadurecimento espiritual transforma nosso desejo de condenação em desejo de intercessão. Aqueles que antes queríamos "destruir" com nossa justiça própria são os mesmos que Deus quer que "edifiquemos" com o poder do Espírito. Quem é o "samaritano" na sua vida hoje que, em vez de julgamento, precisa que você leve o fogo do Pentecostes? Pedro e João eram "especialmente qualificados". Isso não se deve a uma casta superior, mas ao fato de terem sido as testemunhas oculares e os primeiros receptores do Pentecostes em Jerusalém. Eles levavam o que possuíam.  Você está qualificado para levar o gozo da bênção pentecostal a outros na medida em que você mesmo se apropria dela. 

Estar "qualificado" para servir a outros com o Espírito exige uma vida de intimidade constante com o Senhor, para que a "transmissão" desse poder seja autêntica. Pedro recebeu as "chaves do Reino" (Mateus 16.19). Ele as usou para abrir a porta aos judeus (Atos 2), aos samaritanos (Atos 8) e aos gentios (Atos 10). Hoje, nós também exercemos um "poder de chaves" em um sentido delegatário. Quando pregamos o Evangelho e ensinamos sobre a plenitude do Espírito, estamos abrindo portas espirituais para as pessoas. Muitas pessoas têm o "direito legal" às bênçãos de Cristo, mas vivem em miséria espiritual por ignorância ou falta de fé. Nossa função é "induzi-las", ou seja, guiá-las, encorajá-las e mostrar-lhes como tomar posse do que já é delas por herança. O Espírito que Quebra Preconceitos. O fato de os samaritanos (mestiços e rivais religiosos dos judeus) receberem o Espírito Santo através da imposição de mãos dos apóstolos judeus selou a unidade da Igreja. O muro de separação caiu definitivamente. Levar o Pentecostes a outros significa ignorar barreiras denominacionais, sociais ou étnicas. O Espírito Santo é o agente que une o Corpo de Cristo. Se somos "canais" para que outros recebam o Espírito, devemos estar dispostos a tocar e abençoar aqueles que a sociedade (ou a nossa religiosidade antiga) rotulou como "impuros" ou "indignos".

A lição de Atos 8 é que o poder do Espírito transforma vingança em ministério. Assim como João, somos chamados a voltar aos lugares do nosso passado onde houve conflito, não para buscar revanche, mas para usar as "chaves" da autoridade cristã e ajudar outros a se apropriarem da presença interior do Consolador.

4. DISTINGUINDO OS DONS ESPIRITUAIS: GRAÇA IGUAL, CAPACITAÇÃO DIVERSAS.

1 Coríntios 12.4 — Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. 1 Coríntios 12.5 — E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. 1 Coríntios 12.6 — E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. 1 Coríntios 12.7 — Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

1 Coríntios 12:4-7 traz uma distinção muito equilibrada entre o que é igualitário (a Graça) e o que é distintivo (os Dons) na vida do cristão.

Aqui está a aplicação prática dessa visão, conectando a soberania do Espírito com a nossa responsabilidade pessoal: A parábola das minas Lucas 19:13, é libertadora. Ela ensina que, em termos de valor, acesso e herança, não há crentes de "primeira e segunda classe".

A Graça é o capital de giro para a vida cristã. Você não precisa "sentir" que tem mais graça que o outro para orar ou resistir ao pecado; você simplesmente "saca" pela fé. Prática: Pare de se comparar com outros em termos de aceitação divina. O saldo da Graça é infinito e igual para todos os filhos adotados.2. A Soberania na Distribuição: O "Teto" diversificado Embora a Graça seja igual, os Dons (Charismata) são distribuídos de forma variada. O Espírito Santo age "como lhe apraz". Isso elimina a inveja espiritual e o orgulho. Se alguém tem "cinco talentos" (maior visibilidade ou responsabilidade), não foi por mérito, mas por designação soberana. Se você tem "um talento", ele é tão vital para o corpo quanto os outros. O Momento da Entrega: A ideia de que o dom é concedido na regeneração sugere que, ao nascer de novo, você já "nasce" com ferramentas para trabalhar. Não é algo que você precisa fabricar, mas descobrir. A Sinergia entre o Natural e o Espiritual é um ponto fascinante que envolve a relação entre dons espirituais e capacidades naturais. Embora o Espírito possa dar algo totalmente novo, Ele frequentemente "redime" e potencializa o que já estava em nossa estrutura de personalidade; a "capacidade" mencionada em Mateus 25:15. Olhe para as suas inclinações naturais. Você é organizado? É comunicativo? É empático? Muitas vezes, o Espírito Santo "batiza" essas características, transformando uma habilidade natural em um Dom Espiritual; como o dom de governo, de palavra ou de misericórdia. Faça um inventário das suas capacidades. O Senhor não desperdiça a sua identidade; Ele a santifica para o serviço do Reino. A Finalidade é o "Bem Comum" O texto de Paulo conclui que a manifestação do Espírito é dada "para o que for útil" (ou visando o bem comum). O dom não é para o seu brilho pessoal, mas para o lucro do "Dono dos dons". O pecado da parábola não foi ter apenas uma mina/talento, mas escondê-lo. Assim como Pedro usou sua "chave" (autoridade) para abrir a porta aos samaritanos, você deve usar seu dom para destravar o caminho de Cristo na vida de outras pessoas.

Conclusão

Todos os crentes têm igual acesso à graça e igual posição diante de Deus. Contudo, os dons são distribuídos soberanamente pelo Espírito. Não somos chamados a possuir todos os dons, mas a sermos fiéis com o que recebemos. A verdadeira maturidade espiritual não está em ter muitos talentos, mas em multiplicar, para a glória de Deus, aquilo que Ele confiou às nossas mãos.

 

Pastor Adilson Guilhermel


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