LIÇÃO 13 - PREPARANDO O CORPO, A ALMA E O ESPÍRITO PARA A ETERNIDADE
Texto Áureo: “Mas
a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus
Cristo.” (Fp 3.20).
Leitura Bíblica em Classe: Tito 2.11-14; 1 Pedro 1.13-16
Introdução: "Viver Filipenses 3:20 é entender que não somos apenas
visitantes na Terra, mas embaixadores do Reino. Se nossa pátria está nos céus,
nossa mentalidade não pode ser moldada pelo que é terreno. Acordamos todos os
dias em 'solo estrangeiro', e nossas tarefas diárias são apenas o serviço que
prestamos enquanto aguardamos o chamado para voltar para casa. A nossa
esperança não reside em melhorar a 'hospedaria', mas na expectativa ansiosa
pelo retorno do Rei, que transformará nossa fragilidade humana em glória
eterna, dando-nos um corpo adaptado para a nossa verdadeira atmosfera: a
presença de Deus."
"A
afirmação de Paulo de que nossa (cidadania) está nos céus era um contraste
direto às colônias romanas da época. Assim como os cidadãos de Filipos viviam
na Grécia mas respondiam a Roma, nós vivemos no tempo presente, mas respondemos
às leis da eternidade. A salvação aqui descrita não é apenas espiritual, mas
física e completa. Jesus não virá para nos levar como espíritos
desincorporados, mas para realizar a glorificação: a metamorfose final onde
nossa humildade será revestida de Sua semelhança. O céu não é apenas um
destino, é a origem da nossa identidade."
"Se a Terra é apenas uma hospedaria, por que acumulamos tanto aqui como se fosse nossa morada permanente? Essa perspectiva muda o peso das nossas aflições. Os problemas desta vida são como o desconforto de uma noite em um hotel ruim; eles são reais, mas são passageiros. O que nos sustenta é saber que o Dono da nossa verdadeira casa está vindo nos buscar. Ele não nos deixará como estrangeiros para sempre; Ele virá para nos dar a forma definitiva, um corpo glorioso, e finalmente nos introduzir no lugar onde não seremos mais hóspedes, mas residentes permanentes."
1. A ESCOLA DA GRAÇA E O PROPÓSITO
DA SALVAÇÃO.
Tito 2.11 — Porque a graça
de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Tito 2.12 —
ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas,
vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, Tito 2.13 — aguardando
a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso
Senhor Jesus Cristo, Tito 2.14 — o qual se deu a si mesmo por nós, para nos
remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de
boas obras.
A graça de
Deus sempre esteve disponível à humanidade como expressão do Seu amor redentor.
Desde o princípio, Deus revelou Seu desejo de salvar, mas foi em Jesus Cristo
que essa graça se tornou plenamente visível, concreta e acessível — ela “chegou
à nossa porta”. Na encarnação, vida, morte e ressurreição de Cristo, a graça
deixou de ser apenas uma promessa e tornou-se uma realidade viva, oferecida a
todos os homens.
Na primeira
vinda de Cristo, essa graça teve um propósito claramente pedagógico: ela nos
ensina. Não se trata apenas de perdão de pecados ou de livramento da
condenação, mas de uma transformação profunda do modo como vivemos. A graça nos
educa, disciplina e forma o caráter cristão. Ela nos chama a abandonar um
estilo de vida dominado pela impiedade e pelos desejos mundanos e a assumir uma
nova maneira de viver, marcada pela santidade.
Já na segunda
vinda de Cristo, essa mesma graça será manifestada em glória. Aquilo que hoje
experimentamos pela fé, então veremos plenamente: a consumação da salvação, a
redenção completa e a vida eterna na presença de Deus. Vivemos, portanto, entre
esses dois momentos — a graça que nos salvou e a graça que nos glorificará.
Diante disso,
surge uma pergunta inevitável: já frequentamos por tempo suficiente a escola
da graça? Temos permitido que nosso amado Mestre nos ensine, nos molde e
nos conduza? A graça nos instrui a viver de forma equilibrada e responsável em
três dimensões essenciais da vida cristã:
Sensatamente, no que diz respeito a nós mesmos, com domínio próprio e
maturidade espiritual;
Justamente, no relacionamento com os outros, praticando a justiça, o amor
e a integridade;
Piedosamente, em nossa relação com Deus, vivendo em reverência, obediência e
devoção.
No entanto,
essa vida só se torna possível quando, de maneira firme e consciente,
rejeitamos a impiedade e os prazeres mundanos que competem com o senhorio de
Cristo. A graça não nos convida à acomodação, mas à renúncia e à transformação.
Esse foi
exatamente o objetivo e o propósito de Jesus ao vir ao mundo e entregar Sua
vida por nós. Ele não morreu apenas para nos livrar da culpa do pecado, mas
para nos remir de toda iniquidade, nos purificar como um povo
exclusivamente Seu e nos capacitar a viver uma vida frutífera, rica
em boas obras. Essas boas obras não são o meio da salvação, mas a evidência de
que a graça realmente operou em nós.
Por isso, é
essencial examinarmos a nós mesmos: esse propósito supremo de Cristo já se
tornou realidade em nossa experiência pessoal? Nossa vida reflete a obra
transformadora da graça? Se a resposta for negativa, precisamos perguntar com
sinceridade: por que não? O texto nos chama não apenas à reflexão, mas a
uma resposta prática de fé, arrependimento e compromisso com a vida que a graça
nos ensina a viver.
2. RESGATADOS E PURIFICADOS –
UM APELO A SANTIDADE
1 Pedro 1.13 — Portanto,
cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente
na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, 1 Pedro 1.14 — como
filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia
em vossa ignorância; 1 Pedro 1.15 — mas, como é santo aquele que vos chamou,
sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, 1 Pedro 1.16 —
porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.
O apelo à
santidade torna-se ainda mais urgente e persuasivo quando somos levados a
contemplar duas grandes realidades espirituais: o alto preço da nossa
redenção e a viva esperança que Deus plantou em nosso coração. Não
fomos resgatados por algo comum ou passageiro, mas por uma obra eterna,
planejada antes da fundação do mundo e executada no tempo por meio de Cristo.
Quando compreendemos o valor desse resgate, a santidade deixa de ser um fardo e
passa a ser uma resposta amorosa à graça recebida.
Por isso, o
apóstolo Pedro nos exorta a cingirmos o entendimento, isto é, a
mantermos a mente disciplinada, vigilante e preparada. A vida cristã não é
vivida de forma descuidada ou impulsiva. Se não houver sobriedade espiritual,
nossos desejos facilmente se deixarão arrastar pelas paixões antigas, pelas
coisas proibidas e pela “lama da estrada” deste mundo caído, que macula a
consciência e enfraquece o testemunho. A santidade começa na mente, onde
aprendemos a discernir, resistir e escolher aquilo que agrada a Deus.
O chamado
bíblico é claro: “Sede santos, porque eu sou santo.” A santidade não é
apenas um ideal moral elevado, mas um reflexo do caráter do próprio Deus em
Seus filhos. Contudo, essa santidade não pode ser produzida pelo esforço humano
isolado. Ela só se torna possível quando consentimos, humildemente, que Deus opere
em nós, derramando Sua vida em nossa natureza por meio do Espírito Santo. É o
Espírito quem nos capacita a viver de acordo com aquilo que já somos em Cristo.
Nesse
contexto, aprendemos também o verdadeiro significado do temor do Senhor. Não
há temor mais profundo do que aquele que nasce do amor. Não tememos a Deus
como escravos aterrorizados ou criminosos diante de um juiz severo, mas como
filhos que amam e respeitam o Pai. É um temor que não admite sequer a
possibilidade de entristecer Aquele que nos amou primeiro. Esse temor santo nos
guarda, nos orienta e nos aproxima de Deus.
Diante de uma
redenção tão gloriosa, surge uma pergunta inevitável: quem pensaria em
voltar ao Egito? Quem desejaria regressar à escravidão do pecado, sabendo
que fomos resgatados por um Cordeiro Pascal tão precioso? O sacrifício de
Cristo nos chama a uma vida de liberdade responsável, não a uma nostalgia do
passado que Deus já venceu.
Pedro nos
lembra ainda que nossa redenção não foi uma solução improvisada ou uma ideia
posterior de Deus. Ela faz parte de um plano eterno, concebido antes dos
tempos e revelado agora em Cristo. Por isso, somos advertidos a não nos deixar
enredar pelas armadilhas da ambição meramente terrena, que limita a visão
espiritual e obscurece a esperança futura.
Por fim, o
texto destaca a profunda e inseparável associação entre fé, esperança e amor
— virtudes centrais da vida cristã. Contudo, essas graças não são qualidades
naturais do ser humano caído. Elas são inerentes apenas àqueles que foram gerados
de novo pelo Espírito Santo, por meio da Palavra viva e permanente de Deus.
O novo nascimento não apenas nos concede uma nova posição diante de Deus, mas
inaugura uma nova maneira de viver, marcada por santidade, esperança viva e
amor sincero.
Assim, ser “resgatado e purificado” não é apenas um título teológico, mas uma realidade prática que deve se manifestar diariamente em uma vida separada para Deus, moldada pela graça e sustentada pela esperança eterna.
Conclusão
Os ensinos de
Tito e de Pedro convergem para uma verdade central da fé cristã: a graça que
nos salva é a mesma que nos transforma. Não fomos alcançados pela graça
apenas para sermos perdoados, mas para sermos formados, purificados e
preparados para viver como povo exclusivo de Deus enquanto aguardamos a
manifestação final da Sua glória.
Em Cristo, a
graça nos visitou de maneira concreta e poderosa. Ela nos libertou da
escravidão do pecado, nos resgatou a alto preço e nos introduziu numa viva
esperança. Contudo, essa graça não nos deixa como nos encontrou. Ela nos educa,
disciplina a mente, molda o caráter e nos chama a uma vida santa, marcada pelo
domínio próprio, pela justiça no relacionamento com os outros e pela piedade
diante de Deus.
Tanto Tito
quanto Pedro deixam claro que a santidade não é fruto de esforço humano
isolado, mas da obra contínua do Espírito Santo em nós. Ao mesmo tempo, somos
responsáveis por responder a essa obra com vigilância, renúncia e obediência
consciente. Cingir o entendimento, rejeitar a impiedade e abandonar os desejos
mundanos são atitudes práticas que expressam nossa gratidão pela redenção
recebida.
Vivemos entre
dois grandes momentos da história da salvação: a primeira vinda de Cristo,
que nos resgatou, e a segunda, que nos glorificará. Essa esperança
futura dá sentido à nossa vida presente e nos impede de regressar ao “Egito”,
às antigas paixões e ambições terrenas que já não combinam com nossa nova
identidade.
Por fim, a fé
que recebemos, a esperança que nos sustenta e o amor que nos move só são
possíveis porque fomos regenerados pela Palavra e pelo Espírito. A grande
pergunta que permanece não é apenas se fomos alcançados pela graça, mas se
estamos permitindo que ela cumpra plenamente seu propósito em nós. Que
possamos, como discípulos atentos na escola da graça, viver de modo digno
daquele que nos resgatou e nos chamou para ser santo, assim como Ele é.
Pastor Adilson Guilhermel
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