LIÇÃO 06 - O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

TEXTO ÁUREO: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 1.1-5,14.

 

Introdução: Nesta lição, contemplaremos uma das verdades mais profundas da fé cristã: Jesus Cristo como o Verbo eterno de Deus. O apóstolo João, ao iniciar seu Evangelho, não começa em Belém, mas na eternidade. Ele nos apresenta Jesus como Aquele que sempre existiu, que estava com Deus e que é o próprio Deus.

Aprenderemos que o Verbo é o Criador de todas as coisas, a fonte da vida e a verdadeira luz que ilumina todo ser humano. Veremos também que esse Verbo eterno se fez carne, habitou entre nós e revelou o Pai de maneira plena, trazendo graça e verdade.

A encarnação de Cristo não é apenas um evento histórico, mas a maior revelação de Deus à humanidade — Deus se aproximando do homem para redimi-lo e reconciliá-lo consigo mesmo.

 

1. CRISTO DEVE SER O CENTRO ABSOLUTO DA NOSSA FÉ.

João 1.1 — No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1.2 — Ele estava no princípio com Deus. João 1.3 — Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1.4 — Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens; João 1.5 — e a  luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

Essas atribuições do Senhor são apresentadas em estilo real. Assim como a fala revela os pensamentos ocultos dos homens, assim também o Senhor revela o Deus invisível. Deus falou e assim foi feito. Suas palavras precederam o ato da Criação, mas Cristo era o verbo ou a expressão de Deus. Jesus, que criou o tempo, precedeu o tempo e aquele que existe antes do tempo, é eterno e divino. Cristo é o instrumento ou o meio pelo qual Deus realiza a obra da criação e da redenção. A vida de Deus estava inserida na natureza humana de Jesus, quando o Verbo se fez Carne de modo a poder ser transmitida a nós mais rapidamente. A vida verdadeira é sempre luz, como os diminutos ciliados do oceano são fosforescentes. Quando recebemos a vida de Cristo, nós luzimos. Os homens ainda são enviados por Deus, como João o foi, para dar testemunho de Jesus, mas além disso há, também, um testemunho dele no coração de cada um. É o que chamamos de consciência ou luz interior. O mundo cego não o conheceu. Crer e receber são a mesma coisa. Deixe Cristo entrar em sua vida e, no mesmo instante, terá o direito de ser chamado filho de Deus. Só Deus pode nos transmitir o embrião dessa vida que nós compartilhamos com o próprio Filho.

O Evangelho de João apresenta Jesus Cristo em linguagem majestosa, quase régia, destacando sua natureza divina e sua missão eterna. Ao chamá-lo de Verbo (Logos), João declara que Jesus é a expressão perfeita de Deus. Assim como as palavras humanas revelam os pensamentos ocultos do coração, o Verbo revela o Deus invisível. Deus, que não pode ser visto, torna-se conhecido por meio de Cristo.

Na criação, Deus falou, e tudo passou a existir. A palavra precedeu a ação criadora. Contudo, Cristo não é apenas uma palavra pronunciada por Deus; Ele é a própria Palavra viva, a expressão eterna da mente e da vontade divina. Antes que houvesse tempo, Cristo já existia. Ele não foi criado, mas é eterno, divino, participante da própria essência de Deus. Ele é aquele que estava com Deus e era Deus, o instrumento pelo qual todas as coisas vieram à existência, tanto na criação quanto na redenção.

Quando o Verbo se fez carne, algo extraordinário aconteceu: a vida de Deus foi inserida na natureza humana. A vida divina, que estava eternamente no Filho, passou a habitar em forma humana para que pudesse ser compartilhada conosco. Jesus não apenas ensinou sobre a vida; Ele trouxe a própria vida de Deus para dentro da experiência humana. Por isso, essa vida é chamada de vida verdadeira — uma vida que não se limita ao biológico, mas que é espiritual, eterna e transformadora.

Essa vida se manifesta como luz. Onde há vida de Deus, há iluminação espiritual. Assim como organismos microscópicos no oceano brilham no escuro, aqueles que recebem a vida de Cristo passam a refletir essa luz no mundo. A luz de Cristo dissipa as trevas do pecado, da ignorância e da morte espiritual. Receber Cristo é tornar-se portador dessa luz.

Deus continua enviando testemunhas, assim como enviou João Batista, para apontar para Cristo. Contudo, além do testemunho externo, há também um testemunho interno: a luz interior, que chamamos de consciência. É a presença silenciosa da verdade de Deus no coração humano, convidando-nos a reconhecer e receber a luz verdadeira.

Apesar disso, o mundo, espiritualmente cego, não reconheceu o Verbo quando Ele veio. Muitos o rejeitaram, pois preferiram as trevas à luz. Contudo, João afirma algo profundo: crer e receber são a mesma coisa. Crer em Cristo não é apenas aceitar uma ideia, mas abrir a vida para que Ele entre e transforme tudo. Quem recebe Cristo recebe também o direito de ser chamado filho de Deus. Essa filiação não é natural, nem humana, mas divina. É um novo nascimento que só Deus pode conceder, implantando em nós o “embrião” da vida divina que compartilhamos com o próprio Filho.

 

2. DEUS SE REVELOU ENTROU NA HISTÓRIA E SE FEZ ASSESSÍVEL.

João 1.14 — E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

Quando João diz que o Verbo “se fez carne”, ele indica uma transformação real, não no sentido de deixar de ser Deus, mas de assumir plenamente a natureza humana. Jesus existia antes dessa encarnação, mas voluntariamente se limitou, aceitando as restrições da humanidade. Esse ato é chamado de autolimitação divina, expressão do amor e da humildade de Deus.

A expressão se fez, pode ser traduzida por tornou-se. Evidentemente Jesus existia antes da transformação, e, por certo, houve um processo de autolimitação "habitou" é o mesmo que "tabernaculou". Como a luz da Shekinah estava velada pela cortina do tabernáculo, assim também a essência divina em Jesus estava oculta em sua humanidade, embora ela viesse a fulgurar na transfiguração. Ele era cheio da graça, o amor imerecido de Deus; cheio de verdade, tendo vindo para dar testemunho dela; cheio de glória, a do Filho Unigênito Filhos por adoção há muitos; mas Filho, só um.

Cristo veio cheio de graça, o favor imerecido de Deus que salva o pecador; cheio de verdade, pois Ele é a revelação plena da verdade divina; e cheio de glória, a glória do Filho Unigênito do Pai. Muitos podem tornar-se filhos de Deus por adoção, mas Filho por natureza, só há um: Jesus Cristo.


Conclusão:

João 1 nos lembra que a igreja existe para manifestar a luz e a vida de Cristo ao mundo. Quando a igreja perde Cristo do centro, ela perde sua identidade. Quando ela vive da vida de Cristo, ela brilha inevitavelmente.

 

Pastor Adilson Guilhermel


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