Esboços e Comentários das Lições Bíblicas. Th.M Adilson Guilhermel

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LIÇÃO 09 - ESPÍRITO SANTO - O REGENERADOR

LIÇÃO 09 - ESPÍRITO SANTO - O REGENERADOR

TEXTO ÁUREO: “Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3).

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: João 3.1-8.

 

Introdução: A regeneração é uma obra indispensável à salvação. Jesus ensinou de forma clara e categórica que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer de novo. Essa transformação não consiste em mudança externa ou simples reforma moral, mas em uma profunda renovação interior, operada pelo Espírito Santo, que vivifica o pecador e o torna nova criatura em Cristo.

Nesta lição, estudaremos a regeneração como uma obra da Trindade, sua natureza essencialmente espiritual e as evidências concretas dessa nova vida na caminhada do crente.

1. O NOVO NASCIMENTO: O ENCONTRO COM O ESPÍRITO REGENERADOR.

João 3.1 — E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. João 3.2 — Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

Nicodemos era um líder religioso judeu e fariseu, pertencente ao grupo mais rigoroso do judaísmo daquela época. Os líderes judeus estavam divididos principalmente entre fariseus e saduceus. Os fariseus separavam-se de tudo o que consideravam impuro, dedicando-se à observância minuciosa da Lei do Antigo Testamento e das tradições orais transmitidas ao longo dos séculos. Como “líder dos judeus”, Nicodemos fazia parte do Sinédrio, o conselho supremo composto por setenta e um membros, responsável por questões religiosas e por alguns assuntos civis, ainda que Israel estivesse sob domínio romano.

O que levou Nicodemos a procurar Jesus? Ao que tudo indica, ele estava impressionado com Seus sinais e desejava compreender melhor quem Ele era. Pode ter escolhido a noite para evitar a crítica de outros fariseus, que não aceitavam Jesus como o Messias. Contudo, também é possível que tenha buscado um momento mais reservado para uma conversa profunda, longe das multidões que constantemente cercavam o Mestre. Podemos conjecturar que Talvez Nicodemos quisesse uma reunião tranquila, à noite. Mas uma pergunta melhor sobre esta visita seria: “Por que ele veio, afinal?” A resposta pode explicar por que ele veio de noite. Devido à profunda necessidade da sua alma, ele veio até o Senhor saindo da escuridão na qual ele e os seus companheiros estavam imersos.

Dirigindo-se a Jesus com respeito, Nicodemos O chamou de “Rabi”, reconhecendo-O como mestre vindo da parte de Deus. Embora esse título expressasse consideração, ainda revelava uma compreensão limitada sobre a verdadeira identidade de Cristo, que é muito mais que um simples mestre. Ainda assim, Nicodemos discerniu que os sinais realizados por Jesus manifestavam claramente o poder de Deus.

2. O NOVO NASCIMENTO E A ENTRADA NO REINO DE DEUS.

João 3.3 — Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

Jesus declarou com firmeza: “Quem não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”, referindo-se a um nascimento espiritual. Nicodemos, porém, interpretou Suas palavras de forma literal, pensando em um novo nascimento físico. Pelas Escrituras, ele sabia que o Reino seria governado por Deus e restaurado na terra para o Seu povo. Contudo, Jesus revelou que esse Reino não seria restrito aos judeus, mas oferecido a todos, e que a entrada nele depende do arrependimento e do novo nascimento espiritual.

Esse ensino era revolucionário: o Reino é pessoal, não étnico ou nacional. Ele já estava presente na pessoa de Cristo e começa no coração dos que creem, alcançando sua plenitude quando Ele voltar. “Ver” o Reino significa mais do que compreendê-lo; implica participar dele, tornando-se cidadão sob o governo de Deus. Nicodemos precisava entender que Israel fora escolhido para levar a mensagem divina ao mundo, e não para ser o único destinatário dela.

3. O PERIGO DAS LIMITAÇÕES DE UMA VISÃO APENAS RACIONAL.

João 3.4 — Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

Assim como Nicodemos, podemos ouvir verdades espirituais e ainda assim não captar seu significado mais profundo. É necessário ouvir com o coração aberto e sensível à ação do Espírito Santo.  

Nicodemos interpretou as palavras de Jesus de forma literal e humana. Quando tentamos entender as coisas espirituais apenas pela lógica natural, corremos o risco de perder sua verdadeira essência. Mesmo sendo mestre em Israel, Nicodemos demonstrou dificuldade em compreender algo fundamental. O conhecimento religioso não substitui a necessidade de dependência de Deus para entender as verdades espirituais. A necessidade do novo nascimento é para todos; Idade, posição social ou conhecimento não eliminam a necessidade de regeneração espiritual. Todo ser humano precisa do agir transformador de Deus. O que parece absurdo à mente humana é plenamente possível para Deus. O novo nascimento não é obra do esforço humano, mas da graça e do poder divino.

4. O ESPÍRITO MORTIFICADO É TRAZIDO A VIDA PELA AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.

João 3.5 — Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

O novo nascimento do espírito não significa que o espírito humano passe a existir somente no momento da conversão, como se fosse criado ali. O espírito é concedido por Deus desde a concepção. Contudo, por causa do pecado, ele se encontra em estado de separação espiritual, descrito nas Escrituras como morte espiritual.

Assim, “nascer do Espírito” refere-se à regeneração que ocorre na conversão: é o momento em que, pela expiação realizada por Cristo, há purificação do pecado e restauração da comunhão com Deus. Trata-se de uma vivificação, uma espécie de ressurreição espiritual, em que o espírito, antes em estado de mortificação, é trazido à vida pela ação do Espírito Santo.

5. A REALIDADE E A ESPIRITUALIDE DO NOVO NASCIMENTO.

João 3.6 — O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

Assim como o nascimento natural nos introduz no mundo físico com uma natureza humana e mortal, o novo nascimento nos introduz na dimensão espiritual com uma nova natureza, transformada segundo a imagem de Cristo. Não é metáfora, é realidade espiritual concreta.

Os regenerados passam a pertencer à família de Deus. Tornam-se, por assim dizer, uma “nova raça” espiritual, ou seja, cidadãos dos céus, chamados a viver segundo valores eternos, mesmo enquanto ainda estão na terra. Se no nascimento físico passamos a habitar o mundo material, no novo nascimento passamos a viver espiritualmente nos “lugares celestiais”, desfrutando comunhão com Deus e uma nova perspectiva de vida. Assim como a vida natural resulta da geração humana, a vida espiritual é obra direta do Espírito Santo. A salvação não é esforço humano, mas ação soberana de Deus que gera um novo homem interior. A regeneração inicia na conversão, mas se desenvolve na santificação e alcança sua plenitude na ressurreição e glorificação. O propósito final é formar em nós a imagem de Cristo, tornando-nos participantes de Sua natureza glorificada. Se fomos gerados espiritualmente, devemos viver de acordo com essa nova natureza. Nossa conduta deve refletir nossa nova filiação e a transformação operada pelo Espírito Santo.

6. A NECESSIDADE UNIVERSAL DO NOVO NASCIMENTO

João 3.7 — Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

A declaração de Jesus não foi apenas para Nicodemos, mas para toda a humanidade. Judeus e gentios, religiosos ou não, todos estão igualmente incluídos na necessidade do novo nascimento. “Necessário vos é nascer de novo” não é uma sugestão, mas uma exigência espiritual. Sem a regeneração, ninguém pode ver ou entrar no Reino de Deus. Embora proclamada ao mundo, essa verdade alcança cada coração individualmente. É um chamado que ecoa na consciência e exige uma resposta pessoal. Por trás da ordem está o amor de Cristo. Ele não apenas revela a necessidade, mas também oferece a solução. O novo nascimento é obra de Deus. Ele mesmo realiza em nós aquilo que ordena. Se é necessário nascer de novo, então essa é a questão mais urgente da vida. Aceitar o convite de Cristo é permitir que o Espírito Santo opere a transformação que conduz à vida eterna.

7. O VENTO E A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO NA VIDA DO CRISTÃO.

João 3.8 — O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

Assim como o vento sopra onde quer, o Espírito de Deus age livremente. Não pode ser manipulado, controlado ou limitado pela vontade humana. A conversão é obra divina, não resultado de técnicas ou esforços humanos. Não vemos o vento, mas percebemos seus efeitos. Da mesma forma, a presença do Espírito é reconhecida pela transformação que produz: mudança de caráter, novos desejos, amor por Deus e vida santa. O novo nascimento não é teoria religiosa, mas experiência concreta. A ação do Espírito é viva, poderosa e perceptível na vida daquele que foi regenerado. Não conhecemos plenamente a origem nem o destino do vento, assim como não compreendemos totalmente os caminhos do Espírito. Isso nos ensina dependência, reverência e confiança na soberania divina. Ser nascido do Espírito é viver de maneira diferente e, muitas vezes, inesperada. A vida no Espírito rompe padrões antigos e inaugura uma nova caminhada guiada por Deus.

 

Pastor Adilson Guilhermel


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