Escola Bíblica Dominical Ensino da Palavra de Deus para fortalecer a fé, edificar a igreja e promover crescimento espiritual. Th.M Adilson Guilhermel

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LIÇÃO 06 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO


LIÇÃO 06 - A SUFICIÊNCIA DA GRAÇA NA CIDADE DE CORINTO

Texto Áureo: “Porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade.” (At 18.10).

Leitura Bíblica em Classe: Atos 18.1-11.

Introdução: Corinto era uma das cidades mais importantes do Império Romano. Rica, cosmopolita, comercial e profundamente corrompida pela imoralidade e idolatria. Era um centro de comércio, filosofia, cultura e prostituição religiosa. Humanamente falando, era um dos lugares mais difíceis para estabelecer uma igreja.

Entretanto, Deus costuma plantar os maiores avivamentos nos lugares de maiores trevas. Enquanto muitos enxergavam Corinto apenas como uma cidade perdida, Deus via nela um campo branco para a ceifa.

Paulo chega ali depois de enfrentar dificuldades em Filipos, Tessalônica, Bereia e Atenas. Humanamente estava cansado, sozinho e abatido. Em 1 Coríntios 2.1-4, ele mesmo revela que entrou naquela cidade "em fraqueza, temor e grande tremor". Porém, sua confiança não estava em si mesmo, mas no poder do Espírito Santo.

Este texto nos ensina que um grande ministério não depende de uma grande estrutura, mas de um grande Deus.

1. DEUS USA O TRABALHO COMUM PARA ABRIR GRANDES PORTAS

Atos 18.1 — Depois disto, partiu Paulo de Atenas e chegou a Corinto. Atos 18.2 — E, achando um certo judeu por nome Áquila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), se ajuntou com eles, Atos 18.3 — e, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas.

A reunião entre Paulo, Áqüila e Priscila ocorreu sob o decreto do imperador Cláudio (49 d.C.), que expulsou os judeus de Roma (evento citado pelo historiador Suetônio). O que parecia uma tragédia política para aquele casal foi, na verdade, a providência divina para cruzar seus caminhos com os de Paulo.

O trabalho manual de Paulo como "fabricante de tendas" era uma prática comum entre os rabinos judaicos para garantir sustento e não ser pesado à igreja (1 Ts 2.9). Enquanto costurava o couro, Paulo usava a bancada de trabalho como campo missionário, instruindo e ganhando o casal para Cristo.

Deus continua usando: nosso trabalho; nossa profissão; nossos negócios; nossa rotina.

Nosso local de trabalho pode tornar-se um campo missionário.

Muitas pessoas jamais entrarão numa igreja. Mas estarão diariamente ao nosso lado. O cristão deve compreender que seu emprego também é um púlpito. Nada acontece por coincidência. Existe providência onde muitos enxergam acaso.

2.  O EVANGELHO EXIGE ENTREGA TOTAL PARA HAVER SALVAÇÃO.

Atos 18.4 — E todos os sábados disputava na sinagoga e convencia a judeus e gregos. Atos 18.5 — Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo impulsionado pela palavra, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo. "Depois disto, partindo Paulo de Atenas, chegou a Corinto..."

Paulo vinha de Atenas, onde poucos aceitaram sua mensagem (At 17.32-34). Ele poderia sentir-se desanimado diante dos resultados aparentemente pequenos.

A expressão "constrangido pela palavra" significa ser impelido, tomado ou absorvido completamente pela mensagem. Com a chegada de Silas e Timóteo trazendo suprimentos de Filipos, Paulo pôde deixar o trabalho de fabricação de tendas por um tempo e dedicar-se em tempo integral à pregação pública. Atos 18.6: "Mas, opondo-se eles e blasfemando, sacudiu as vestes e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora vou para os gentios."

A ação de sacudir as vestes é um gesto profético derivado do Antigo Testamento (Ez 33.1-9), indicando a transferência de responsabilidade. Paulo cumpriu seu dever de atalaia: avisou sobre o perigo e, portanto, ficou livre da culpa pelo julgamento daqueles que rejeitaram a Cristo.

Em 1 Coríntios 2.1-4, ele descreve seu estado espiritual: "Eu estive entre vós com fraqueza, temor e grande tremor..." A palavra grega phobos (temor) não significa covardia, mas profunda consciência da responsabilidade diante de Deus. "Tremor" descreve alguém totalmente dependente da graça divina e consciente de suas limitações.

Ele recusou impressionar os ouvintes pela eloquência filosófica. Corinto admirava os grandes oradores gregos.

Paulo decidiu anunciar apenas: "Jesus Cristo e este crucificado."

Porque: a cruz salva; a eloquência apenas impressiona; a cruz transforma; a filosofia apenas informa.

Seu ministério era sustentado pela demonstração do Espírito Santo.

Muitos hoje confiam em: técnicas; marketing religioso;  carisma pessoal; inteligência humana.

Mas o Reino de Deus continua avançando pelo poder do Espírito Santo.

A Igreja não cresce porque possui grandes pregadores. Ela cresce quando Deus confirma Sua Palavra.

O pregador é apenas um instrumento. O Espírito Santo é quem convence do pecado.

3. A REJEIÇÃO AO EVANGELHO NÃO DEVE PARALISAR O OBREIRO

Atos 18.6 — Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes e disse-lhes: o vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo e, desde agora, parto para os gentios.

Os judeus resistiram fortemente à mensagem.

Paulo então cita uma linguagem típica dos profetas do Antigo Testamento.

"Sacudir as vestes" era um ato simbólico de responsabilidade encerrada.

Ele havia anunciado fielmente o evangelho.

A responsabilidade agora era dos ouvintes.

Isso não demonstra falta de amor.

Demonstra fidelidade ao chamado.

Nem todos aceitarão Cristo.

O servo de Deus não mede seu sucesso apenas pelo número de conversões.

Nossa responsabilidade é anunciar.

A obra da conversão pertence ao Espírito Santo.

Não devemos desanimar quando alguns rejeitam a mensagem.

4. DEUS SEMPRE TEM UM POVO PREPARADO COM PROPENSÃO AO EVANGELHO.

Atos 18.7 — E, saindo dali, entrou em casa de um homem chamado Tito Justo, que servia a Deus e cuja casa estava junto da sinagoga. Atos 18.8 — E Crispo, principal da sinagoga, creu no Senhor com toda a sua casa; também muitos dos coríntios, ouvindo-o, creram e foram batizados. Atos 18.9 — E disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales;

Atos 18.10 — porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. Atos 18.11 — E ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.

Quando tudo parecia difícil, Deus aparece em visão. O Senhor diz: "Não temas."

A palavra mostra que Paulo realmente enfrentava medo humano.

Mas Deus acrescenta: "Fala e não te cales."

Depois apresenta a razão: "Porque eu sou contigo."

A presença divina é sempre maior que a oposição.

Finalmente vem uma das declarações mais extraordinárias do livro de Atos:

"Tenho muito povo nesta cidade."

Essas pessoas ainda nem haviam se convertido. Mas Deus já conhecia aqueles que responderiam ao evangelho. A soberania divina garante o sucesso da missão.

Por isso Paulo permaneceu ali um ano e seis meses ensinando continuamente. Às vezes pensamos que ninguém quer ouvir o evangelho. Deus conhece corações que nós ainda não conhecemos.

Nossa tarefa é semear. Deus cuidará da colheita.

Jamais devemos desistir de uma cidade, de uma família ou de uma pessoa enquanto Deus ainda nos manda falar.

CONCLUSÃO: Corinto parecia um lugar improvável para o estabelecimento de uma igreja forte. Era uma cidade marcada pela idolatria, pela imoralidade e pelo orgulho intelectual. Contudo, Deus escolheu exatamente esse cenário para manifestar o poder do evangelho.

Paulo chegou fraco, cansado e sem recursos humanos extraordinários. Não confiou em sua eloquência, mas na mensagem da cruz. Trabalhou com as próprias mãos para não ser pesado à igreja, fez de sua profissão uma oportunidade missionária, entregou-se inteiramente à Palavra e perseverou mesmo diante da oposição. Deus o fortaleceu, garantiu Sua presença e revelou que havia "muito povo" naquela cidade.

A mesma verdade permanece para a Igreja de hoje. As grandes cidades continuam cheias de pecado, indiferença e desafios, mas também estão repletas de pessoas que Deus deseja alcançar. O Senhor ainda procura homens e mulheres que, como Paulo, estejam dispostos a viver para Cristo, servir com humildade e proclamar o evangelho no poder do Espírito Santo.

Desafio final: Estamos olhando para nossa cidade apenas com os olhos da preocupação ou com os olhos da compaixão? O mundo precisa menos de cristãos preocupados em vencer discussões e mais de servos apaixonados por Cristo, cuja vida e mensagem apontem para a cruz. Que Deus faça de nós instrumentos para realizar um grande ministério, mesmo em meio às maiores cidades e aos maiores desafios.

Pastor Adilson Guilhermel.

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