LIÇÃO 11 - ENTRE TEMPESTADES E PROMESSAS
TEXTO
ÁUREO: “Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá
a vida de nenhum de vós, mas somente o navio.” (At 27.22).
LEITURA
BÍBLICA EM CLASSE: Atos 27.9-15,21-26.
Introdução: A presença de Deus não significa ausência de tempestades; significa que, mesmo em meio às tempestades, a promessa de Deus permanece de pé. Atos 27 nos apresenta uma das viagens marítimas mais dramáticas registradas no Novo Testamento. Paulo está sendo levado para Roma, não como um viajante comum, mas como prisioneiro por causa do Evangelho.>>>
Humanamente
falando, aquele parecia ser um momento desfavorável. Paulo estava preso,
enfrentaria uma longa viagem e navegaria em uma época perigosa do ano. Entretanto,
havia algo que os olhos humanos não conseguiam enxergar: Deus tinha um
propósito para Paulo em Roma.
A tempestade estava no caminho, mas a tempestade não estava no controle
da história. O navio poderia ser abalado. Os homens poderiam perder a
esperança. Os ventos poderiam mudar. As ondas poderiam crescer. Mas a promessa
de Deus continuava firme!
Há momentos em que também atravessamos circunstâncias que parecem
contrariar aquilo que Deus falou.
A tempestade diz: "Você não vai chegar."
A fé responde: "Deus ainda não terminou."
As circunstâncias dizem: "É o fim."
A Palavra de Deus responde: "Continue confiando."
1. PAULO PERCEBEU O PERIGO ANTES DOS ESPECIALISTAS
Atos
27.9 — Passado muito tempo, e sendo já perigosa a navegação, pois também o
jejum já tinha passado, Paulo os admoestava, Atos 27.10 — dizendo-lhes: Varões,
vejo que a navegação há de ser incômoda e com muito dano, não só para o navio e
a carga, mas também para a nossa vida.
Chegando a determinado ponto da viagem, Paulo advertiu: "Vejo que a
navegação há de ser incómoda..." Paulo não era o capitão. Não era
marinheiro. Não era especialista em navegação.
Mas era um homem que tinha comunhão com Deus e discernimento espiritual.
O homem que conhecia Deus percebeu um perigo que os especialistas não
estavam levando suficientemente a sério. Conhecimento técnico é importante, mas
discernimento espiritual também é necessário.
A Igreja não deve desprezar conhecimento, ciência ou experiência. Mas
também não pode viver apenas baseada naquilo que os olhos humanos conseguem
avaliar. Há momentos em que Deus concede discernimento ao seu povo para
perceber perigos espirituais.
Precisamos aprender a ouvir pessoas piedosas. Nem sempre Deus falará
através daquele que ocupa a posição mais alta. Às vezes uma palavra simples,
dada por alguém que anda com Deus, pode evitar grandes prejuízos.
2.
O CONSELHO DE PAULO FOI REJEITADO
Atos
27.11 — Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre do que no que dizia
Paulo.
O centurião, porém, deu mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do
que às palavras de Paulo.
Aqui encontramos uma das grandes tragédias da experiência humana: preferir
a opinião humana à direção de Deus.
O piloto conhecia o mar. O mestre conhecia o navio.
Mas Paulo conhecia Deus.
Nem sempre a maioria está certa. Nem sempre a pessoa mais experiente
está certa.
3.
UMA DECISÃO PODE PARECER BOA E AINDA ASSIM SER PERIGOSA
Atos
27.12 — E, como aquele porto não era cômodo para invernar, os mais deles foram
de parecer que se partisse dali para ver se podiam chegar a Fenice, que é um
porto de Creta que olha para a banda do vento da África e do Coro, e invernar
ali.
O porto não era adequado para passar o inverno, e muitos aconselharam
que partissem dali. A decisão parecia razoável. Parecía estratégica. Parecia
econômica. Mas a decisão aparentemente boa conduziria a uma situação
extremamente perigosa. Nem tudo que parece uma boa oportunidade vem de Deus.
Nem toda porta aberta deve ser atravessada. Nem todo caminho fácil é o
caminho certo.
Precisamos aprender a diferenciar: o que é oportunidade e o que é
armadilha; o que é avanço e o que é precipitação; o que é fé e o que é
presunção.
Nem sempre a decisão aparentemente mais vantajosa é a melhor decisão.
A igreja precisa aprender a perguntar: "Senhor, qual é a tua
vontade?"
Antes de perguntar: "O que parece mais conveniente?"
4.
O VENTO FAVORÁVEL NÃO SIGNIFICA NECESSARIAMENTE QUE DEUS APROVOU
Atos
27.13 — E, soprando o vento sul brandamente, lhes pareceu terem já o que
desejavam, e, fazendo-se de vela, foram de muito perto costeando Creta.
O texto diz que, soprando brandamente o vento sul, eles imaginaram ter
alcançado o que desejavam.
Aqui está uma das maiores advertências desse episódio.
O vento estava favorável. E porque o vento estava favorável, eles
pensaram que sua decisão estava correta. Mas pouco depois, a tempestade chegou.
Circunstâncias favoráveis não são, por si mesmas, confirmação da vontade
de Deus.
Às vezes tudo parece dar certo e, ainda assim, estamos caminhando na
direção errada.
Por isso, nossa fé não pode estar fundamentada apenas nas
circunstâncias.
Nossa segurança está na Palavra de Deus.
Não diga: "Está dando certo, então Deus aprovou."
Pergunte: "Está de acordo com a Palavra e com a vontade de
Deus?"
5.
QUANDO O HOMEM IGNORA O ALERTA, A TEMPESTADE PODE ENSINAR O QUE O CONSELHO NÃO
CONSEGUIU ENSINAR
Atos
27.14 — Mas, não muito depois, deu nela um pé de vento, chamado Euroaquilão. Atos
27.15 — E, sendo o navio arrebatado e não podendo navegar contra o vento, dando
de mão a tudo, nos deixamos ir à toa. Atos 27.21 — Havendo já muito que se não
comia, então, Paulo, pondo-se em pé no meio deles, disse: Fora, na verdade,
razoável, ó varões, ter-me ouvido a mim e não partir de Creta, e assim
evitariam este incômodo e esta perdição.
Atos
27.22 — Mas, agora, vos admoesto a que tenhais bom ânimo, porque não se perderá
a vida de nenhum de vós, mas somente o navio.
Eles não ouviram Paulo. A princípio, parecia que tinham tomado a decisão
correta. Mas a situação mudaria drasticamente. Isso acontece muitas vezes
conosco.
Deus nos adverte através: da Palavra; da oração; de pessoas maduras; da
consciência; de circunstâncias.
Mas, quando insistimos em nosso próprio caminho, podemos aprender
através das consequências.
É melhor obedecer à voz de Deus antes da tempestade do que aprender a
obedecer durante a tempestade. Não precisamos esperar o navio começar a quebrar
para reconhecer que deveríamos ter ouvido a Palavra.
Paulo estava indo para Roma. Deus ainda tinha trabalho para ele
realizar. Mas, entre Paulo e Roma, havia uma tempestade.
Isso nos ensina: A tempestade pode estar no caminho da promessa sem ser
o fim da promessa. A presença da tempestade não significa ausência de Deus.
Há tempestades que não conseguimos evitar. Existem problemas que chegam
mesmo quando estamos fazendo a vontade de Deus.
Existem dias difíceis; existem perdas; existem lutas; existem momentos
de insegurança.
Mas a pergunta não deve ser apenas: "Por que estou enfrentando esta
tempestade?"
Também precisamos perguntar: "Como permanecerei fiel a Deus durante
esta tempestade?"
O cristão não recebeu a promessa de nunca enfrentar tempestades.
Recebeu algo maior: a promessa da presença de Deus. Jesus não disse que
nunca haveria aflição.
Mas disse: "No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo."
A fé não significa ausência de problemas. Fé significa confiança em Deus
dentro dos problemas.
6.
DEUS, DE QUEM EU SOU E A QUEM EU SIRVO
Atos
27.23 — Porque, esta mesma noite, o anjo de Deus, de quem eu sou e a quem
sirvo, esteve comigo, Atos 27.24 — dizendo: Paulo, não temas! Importa que sejas
apresentado a César, e eis que Deus te deu todos quantos navegam contigo.
Essa é uma das mais belas declarações de Paulo.
Ele sabia duas coisas:
1. "De quem eu sou": Paulo sabia que pertencia a Deus.
2. "A quem eu sirvo": Paulo sabia qual era sua missão.
Essa identidade sustentava sua fé.
Antes de perguntar: "O que está acontecendo comigo?"
Precisamos lembrar: "A quem eu pertenço?"
Se pertencemos a Deus, nossa história não está abandonada. Se servimos a
Deus, nossa vida tem propósito.
A tempestade era real; o perigo era real; o navio estava em perigo; os
homens estavam assustados.
Mas Paulo tinha algo que os demais não possuíam na mesma medida: uma
palavra de Deus.
É por isso que a fé consegue produzir paz no meio do caos.
A fé não diz: "Não existe tempestade."
A fé diz: "Existe tempestade, mas Deus continua no controle."
Podemos atravessar noites difíceis e ainda descansar.
Podemos chorar e continuar crendo.
Podemos não entender o processo e continuar confiando no Deus que
conhece o final.
7.
EU CONFIO NO DEUS QUE ESTÁ DANDO A DIREÇÃO
Atos
27.25 — Portanto, ó varões, tende bom ânimo! Porque creio em Deus que há de
acontecer assim como a mim me foi dito.
Paulo não disse: "Confio no navio."
Não disse: "Confio nos marinheiros."
Não disse: "Confio no piloto."
Não disse: "Confio nas circunstâncias."
Ele disse: "Eu confio em Deus."
Quando tudo estiver balançando, diga: Eu confio em Deus!
Quando não houver recursos: Eu confio em Deus!
Quando a resposta demorar: Eu confio em Deus!
Quando o vento mudar: Eu confio em Deus!
Quando não enxergar saída: Eu confio em Deus!
Inicialmente, não quiseram ouvir Paulo.
Mas quando a tempestade revelou a fragilidade dos recursos humanos,
começaram a prestar atenção nele.
Isso acontece porque a crise revela quem realmente possui esperança.
Quando todos estão desesperados, aquele que confia em Deus se torna uma
referência.
Talvez alguém esteja observando como você enfrenta sua tempestade.
Se você continuar confiando, poderá dizer ao mundo:
"Minha esperança não está no navio; está no Senhor."
Nossa maneira de enfrentar as crises também é uma forma de testemunho.
Os marinheiros conheciam o mar; Paulo conhecia a Deus; eles conheciam os
ventos; Paulo conhecia a voz de Deus; eles conheciam o navio; Paulo conhecia o
Senhor que governava todas as coisas.
A Igreja precisa de pessoas capacitadas.
Precisamos de conhecimento. Precisamos de experiência. Mas acima de tudo
precisamos de homens e mulheres que conheçam a Deus. Porque conhecimento sem
Deus pode produzir segurança falsa. Mas conhecimento aliado à fé produz
discernimento.
8. Atos 27.26 — É, contudo, necessário irmos dar
numa ilha.
Ao usar era necessário em relação ao naufrágio na ilha, Paulo está
ensinando que o desastre não é um acidente fora do controle divino, mas uma
rota necessária dentro do mapa de Deus para levá-los ao destino final (Roma). O
sofrimento e a perda do navio fazem parte do método de livramento.
o navio seria destruído, os marinheiros perderiam o controle do leme,
mas a força destrutiva do mar seria exatamente o instrumento que Deus usaria
para arremessá-los em segurança na ilha de Malta. O que parecia ser o mecanismo
do naufrágio era, na verdade, o veículo da graça de Deus.
Malta não era o destino final de Paulo (o destino era Roma). Era apenas
uma escala de refúgio, cura e expansão missionária (onde os nativos foram
sarados e evangelizados). A igreja precisa aprender que Deus frequentemente usa
os desvios forçados e os temporais da vida para abrir portas de ministério em
lugares onde jamais iríamos por vontade própria.
CONCLUSÃO
Atos 27 começa com uma viagem aparentemente controlada, mas logo
apresenta ventos contrários, decisões difíceis e uma tempestade que parecia
capaz de destruir tudo. Porém, Deus estava trabalhando.
Paulo não estava viajando simplesmente para Roma.
Paulo estava caminhando em direção ao propósito de Deus.
A tempestade fazia parte do caminho, mas não fazia parte do destino.
E essa é uma palavra poderosa para a Igreja: A tempestade pode estar no
caminho, mas não terá a última palavra.
O vento pode soprar; as ondas podem crescer; o navio pode balançar; as
pessoas podem perder a esperança.
Mas, se Deus falou, continue crendo!
Talvez hoje alguém esteja atravessando uma tempestade.
Você olha para sua vida e pergunta: "Como vou chegar ao outro
lado?"
A resposta de Atos 27 é: "Eu confio em Deus, que sucederá do modo
por que me foi dito."
Não sabemos como Deus fará.
Não sabemos quanto tempo durará a tempestade.
Não sabemos quantas ondas ainda virão.
Mas podemos saber uma coisa: DEUS CONTINUA FIEL À SUA PALAVRA!
Pastor Adilson Guilhermel
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