LIÇÃO 05 - O DEUS FILHO

LIÇÃO 05 - O DEUS FILHO

Texto Áureo: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o.” (Mt 17.5b).

Leitura Bíblica em Classe: Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8.

 

Introdução:  Nesta aula, mergulharemos na doutrina bíblica sobre o Deus Filho, tomando como ponto de partida a glória revelada na Transfiguração. Veremos como Jesus, a segunda Pessoa da Trindade, manifesta Sua divindade plena como o centro das Escrituras e o único Mediador entre Deus e a humanidade. Ao explorarmos Sua natureza divina e missão redentora, compreenderemos por que essa verdade é o alicerce inabalável da nossa fé e vida cristã."

 

1. O MESSIAS PROMETIDO, A UNIÃO DO DIVINO COM O HUMANO.

Lucas 1.31 — E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.

Lucas 1.32 — Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai. Lucas 1.34 — E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? Lucas 1.35 — E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

O anúncio do anjo a Maria revela o coração do plano eterno de Deus: o Messias prometido viria ao mundo não por força humana, mas pela iniciativa soberana da graça. Uma virgem simples, desconhecida aos olhos da sociedade e desprovida de qualquer mérito aparente, é elevada à suprema honra concedida ao mundo feminino: tornar-se o instrumento escolhido para a encarnação do Filho de Deus. Nessa escolha, não há espaço para vanglória humana; tudo se explica pela graça divina que alcança os humildes e exalta os pequenos (cf. Lc 1.48).

A concepção de Jesus não foi resultado de ação natural, mas de um ato criador do próprio Deus. O Espírito Santo, o mesmo Espírito que pairava sobre as águas na criação (Gn 1.2), operou um milagre único e irrepetível: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra” (Lc 1.35). Assim, o surgimento do Salvador no meio da humanidade foi um ato direto, imediato e soberano da Divindade no que diz respeito ao seu corpo. A carne de Cristo não foi fruto da vontade do homem, mas da intervenção santa de Deus.

Entretanto, se quanto ao corpo houve um agir exclusivo do Espírito Criador, quanto ao espírito do Filho eterno houve um esvaziamento voluntário. Como ensina o apóstolo Paulo, Cristo “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2.7). O Messias não foi compelido a vir; Ele veio porque quis. A encarnação não foi uma imposição externa, mas um ato consciente de amor e obediência ao Pai, em favor da redenção da humanidade.

“E o Verbo se fez carne” (Jo 1.14). Essa afirmação não descreve uma aparição passageira ou uma simples apropriação da aparência humana, como se o Filho de Deus apenas vestisse um disfarce. Trata-se de uma união real, profunda e misteriosa entre o divino e o humano. Naquela santa criança que nasceria de Maria, Deus e homem se unem sem confusão e sem separação. O eterno entra no tempo; o infinito assume limites; o Criador passa a habitar entre as suas criaturas.

Nesse acontecimento inaugura-se algo absolutamente novo: o princípio de uma nova humanidade. Cristo é o segundo Adão, a cabeça de uma raça redimida, formada não segundo a carne, mas segundo o Espírito. Aquilo que começou no ventre de Maria estende-se agora a todos os que creem, pois “todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14). O propósito final é que a terra se encha desses filhos, restaurados à imagem divina, até que o plano de Deus se cumpra plenamente na história.

 

2. O EXPLENDOR DA GLÓRIA: DA TRANSFIGURAÇÃO A TRANSFORMAÇÃO.

Mateus 17.1 — Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte. Mateus 17.2 — E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. Mateus 17.3 — E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. Mateus 17.4 — E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias. Mateus 17.5 — E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; escutai-o. Mateus 17.6 — E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo. Mateus 17.7 — E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo. Mateus 17.8 — E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus.

Jesus Mostra a Glória Divina (Mt 17.1–8)

No episódio da transfiguração, Jesus revela de maneira singular a glória divina que sempre lhe pertenceu. Enquanto orava no monte, “o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” (Mt 17.2). Essa manifestação não foi apenas um fenômeno visual, mas uma revelação momentânea daquilo que Ele é em sua essência: o Filho eterno, revestido de glória, honra e majestade.

O rosto de Moisés brilhou após ter estado na presença de Deus no Sinai, pois refletia a glória que havia contemplado (Êx 34.29–35). Assim como alguns diamantes continuam a brilhar após terem sido expostos à luz do sol, mesmo quando levados a um ambiente escuro, Moisés refletia uma glória derivada, recebida de fora. Da mesma forma, o rosto de Estêvão resplandeceu quando, por um instante, ele contemplou o Filho do Homem em pé à direita de Deus (At 7.55–56). Em ambos os casos, tratava-se de uma glória refletida, resultado do encontro com o Divino.

Contudo, o brilho do rosto de Jesus era de natureza completamente distinta. Ele não refletia uma glória externa; sua glória procedia de dentro. A luz que irradiava não era emprestada, mas inerente à sua pessoa. A “Shekinah”, a glória manifesta da presença de Deus, que no Antigo Testamento habitava no tabernáculo e no templo, residia agora no coração do Filho encarnado. Na transfiguração, essa glória, normalmente velada pela fragilidade da carne, irrompeu por um momento através do véu humano. Como declara João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória” (Jo 1.14).

O termo que João utiliza para “habitava” remete à ideia de “tabernacular”, indicando que Jesus é o verdadeiro tabernáculo de Deus entre os homens. Da mesma forma, o apóstolo Paulo usa linguagem semelhante ao exortar: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Rm 12.2). A transformação cristã não é apenas externa, mas uma mudança profunda, de dentro para fora, refletindo a glória de Cristo na vida do crente.

O propósito apostólico não é que, por um breve instante, contemplemos e reflitamos o rosto glorioso do Senhor, como os discípulos fizeram no monte, mas que o entronizemos permanentemente em nossos corações. Quando Cristo reina no interior do crente, o véu é removido, e a luz do conhecimento da glória de Deus passa a iluminar todas as áreas da vida, tornando belas até mesmo as tarefas simples e comuns da lida diária (cf. 2Co 3.18; 4.6). A glória de Cristo transforma o ordinário em sagrado, o cotidiano em culto, a vida comum em testemunho.

Paradoxalmente, esse momento de revelação gloriosa marca também o caminho para o sofrimento. A transfiguração foi o clímax da vida terrena de Jesus no que diz respeito à revelação visível de sua glória. Logo após esse episódio, Ele volta o rosto resolutamente para Jerusalém, onde seria rejeitado, humilhado e crucificado. O Filho glorioso que resplandeceu no monte escolheu ocultar novamente sua glória para suportar a cruz em favor da nossa redenção. Ele abriu mão da manifestação visível da sua glória para salvar pecadores, cumprindo a vontade do Pai e garantindo a nossa salvação.

 

Conclusão: A transfiguração de Jesus revela, ainda que por um breve momento, a glória que sempre lhe pertenceu como Filho eterno de Deus. No monte, os discípulos contemplaram aquilo que, na maior parte do tempo, esteve velado pela humildade da encarnação. Aquele que caminhava entre os homens como servo era, na verdade, o Senhor da glória. Contudo, essa manifestação não teve como objetivo apenas impressionar, mas fortalecer a fé dos discípulos e prepará-los para o escândalo da cruz.

Ao revelar sua glória, Cristo também mostrou o caminho do verdadeiro discipulado: a glória passa pela cruz. O Filho de Deus escolheu ocultar sua majestade para sofrer, morrer e ressuscitar em favor da nossa redenção. Hoje, essa mesma glória continua a transformar os que creem, não por meio de visões momentâneas, mas pela presença permanente de Cristo no coração. À medida que o entronizamos em nossa vida, somos transformados de glória em glória, refletindo sua luz no mundo.

Assim, a transfiguração aponta para quem Jesus é, para o que Ele fez e para o que Ele continua fazendo em nós: o Deus glorioso que se humilhou para nos salvar e que nos chama a participar de sua glória eterna.

 

Pastor Adilson Guilhermel

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